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Reunião entre Dilma e sindicatos termina sem reivindicações atendidas

Por Breno Costa e Ana Flor, da Folha de S. Paulo

Após mais de duas horas de reunião com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, representantes das seis centrais sindicais saíram sem nenhum ponto da pauta de reivindicações atendido.

A única medida concreta anunciada pela presidente foi a abertura de uma mesa de negociações permanente com o governo, provavelmente mensal, conduzida pelos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência).

Mais cedo, num agrado aos sindicalistas, a presidente assinou uma portaria regulamentando uma lei que garante assento aos trabalhadores nos conselhos de administração de empresas públicas.

Em outro afago, a presidente convidou os presidentes das centrais para o almoço que a será oferecido ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no próximo dia 18.

A reunião foi a primeira da presidente com as centrais e ocorreu duas semanas após a vitória do governo na aprovação do salário mínimo de R$ 545, valor abaixo do que desejavam os sindicalistas.

Segundo relato de participantes do encontro, Dilma falou durante cerca de uma hora e afirmou que levará em "alta consideração" o pedido das centrais de definir um índice de correção da tabela do Imposto de Renda pelos próximos quatro anos, pelo centro da meta de inflação, que hoje é de 4,5%.

"Eu não garanto, mas posso dizer que está bem encaminhado", afirmou Dilma, segundo relatos.

Com isso, o reajuste na tabela este ano ficaria mesmo em 4,5%, como quer o governo. As centrais reivindicavam 6,47%.

PAULINHO

Dilma buscou, durante a reunião, tornar o mais ameno possível o clima com o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT), presidente da Força Sindical.

Líder do PDT na Câmara, o deputado defendia o salário mínimo de R$ 560 e liderou um movimento rebelde no partido contra a proposta do governo de R$ 545, que acabou vitoriosa. Depois, em uma entrevista, chegou a xingar petistas.

"Você é muito reclamador, mas bom sindicalista tem que ser assim mesmo", disse a presidente ao deputado, em tom de brincadeira, sempre segundo relatos.

A presidente, que vestia uma roupa rosa, também brincou com o deputado, que usava uma camisa em tom parecido. "Pelo menos alguma a coisa a gente tem em comum".

Apesar do clima ameno, Paulinho fez críticas à política econômica do governo Dilma. Em resposta, a presidente lembrou da campanha eleitoral, quando havia dúvidas sobre seu rigor fiscal.

"Na época da campanha, eu era uma guerrilheira desenvolvimentista. Agora, falam que eu sou monetarista...", disse a presidente.

A presidente fez questão de tornar a reunião o mais informal possível. Sentou-se em uma mesa com os ministros de um lado e presidentes das centrais de outro.

Deixou os presentes com a sensação de que ela é "muito mais afável do que dizem lá fora", segundo o relato de um sindicalista presente ao encontro.

Na saída da reunião, Paulinho não conseguiu disfarçar que o afago teve efeito. "Ela serviu café, água, suco...E disse que vai nos levar para almoçar com o Obama porque, no governo dela, sindicalista também tem vez", disse.

Na mesa de reuniões, ele fez questão de explicar sua posição, há menos de um mês, na disputa do valor do salário mínimo.

Enquanto Dilma fincou o pé nos R$ 545, eles defendiam R$ 580 e, depois, R$ 560. Paulinho afirmou que Lula havia travado uma negociação diferente com as centrais e que depois "passou a bola para Dilma", enquanto as centrais ficaram com a expectativa de conseguir "pelo menos R$ 550".

Ao final do encontro, alguns dirigentes chegaram a posar para fotos com a presidente, inclusive Paulinho.

Apesar de ressaltarem as diferenças com Lula, segundo eles mais brincalhão e solto, disseram que Dilma tem "sensibilidade de mulher" para questões importantes aos trabalhadores.

Na cerimônia de assinatura da portaria que garante assentos nas estatais a representantes dos trabalhadores, a presidente lamentou a ausência de Lula, ex-sindicalista.

"Falta, sem dúvida, uma pessoa, que é o presidente Lula porque ele lutou muito por esta lei. Eu sou testemunha da quantidade de vezes que ele perguntava para o Paulo Bernardo: "E aí, ô Paulo, a minha... a regulamentação da participação dos trabalhadores no Conselho das empresas?", disse.

IMPOSTO SINDICAL

Durante a reunião, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) colocou na mesa, apesar da contrariedade de outras centrais sindicais, a proposta do fim da contribuição sindical, que seria substituída por uma "taxa negocial", que só seria recolhida se aprovada em assembleias de sindicatos.

As outras centrais afirmaram à presidente que essa era uma proposta que tinha o apoio apenas da CUT.

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