terça-feira, 26 de outubro de 2010

Por um Brasil mais democrático

Por Igor Almeida

A que nível chegou a política nacional nas eleições em 2010... Conflitos e acusações sempre existiram, já são características marcantes dos períodos eleitorais. O que assusta são as dimensões negativas que esses conflitos ideológico-partidários tomaram. Festa da democracia? O que realmente se viu até agora foi uma festa de ignorância e violência, do debate inconsistente e da disputa no grito.

Os jornais e telejornais do país foram inundados por manchetes sobre a agressão sofrida por Serra durante uma caminhada pela zona oeste do Rio de Janeiro, nesta última quarta-feira. Muito além da própria natureza reprovável do fato, o que se viu nos dias que se seguiram foi uma verdadeira agressão ao eleitor. Autoridades dos partidos, candidatos e até o presidente da república protagonizaram uma discussão inútil acerca do ocorrido, mesmo com a existência de inúmeras provas que afirmaram a sua veracidade.

Não quero aqui condenar a atuação irresponsável de Lula e muito menos pregar a inocência inquestionável de José Serra. Está comprovado que a agressão realmente aconteceu, mas ela também ganhou, claramente, leves contornos de manobra eleitoreira. Isso com a própria ajuda do presidente, pois se o mesmo não tivesse se manifestado da forma que fez esse fato não teria tomado as dimensões que tomou. E os tucanos agradecem.

Mas a intolerância realmente está fora de controle. Primeiro tentaram acertar a petista Dilma Roussef com um balão de água durante sua passagem por Curitiba. Agora agridem o candidato tucano. Não bastasse a mútua aniquilação partidária, já denunciada pela Senadora do PV, Marina Silva, PT e PSDB (e seus colaboradores) promovem agora uma mútua aniquilação física entre seus candidatos. Comportamento que desmoraliza o pleito eleitoral e fere os princípios democráticos.

E nesse processo destaca-se a participação ativa de um grande número de militantes, aspecto que causa uma revolta maior ainda. Qual é o novo sentido de atuação política? Que deturpação irreconhecível conferiram ao real significado da militância? Ser militante não é fazer papel de palhaço indo às ruas para provocar desordem. Ser militante é participar ativamente do processo político, defendendo as propostas do seu candidato, mas respeitando a ideologia adversária.

Os cidadãos, pelo menos aqueles conscientes, só esperam que até o domingo nada mais desagradável aconteça. Que tenhamos um fim de eleição tranqüilo e uma militância responsável. Queremos um novo presidente que “lute” para mudar o país e a sua cultura política, mas também queremos que ele venha “inteiro”. Sem mais, queremos uma democracia de verdade

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