quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Fim do primeiro tempo

Por George Lemos (@georgelemos1986)

O juiz apitou e o primeiro tempo da partida acabou. Tudo bem, não é sobre uma partida de futebol que eu escreverei. Mas no país do futebol, é uma analogia válida.

Para alguns, essa é uma partida de vencedores definidos no primeiro tempo, com direito a nocaute dos adversários e sem segundo tempo a se jogar. Para outros, o segundo tempo ta aí pra poder dar direito a uma reação. Recuperar o tempo perdido e até agradecer outras equipes por ajudar na ascensão na tabela.

Voltando ao âmbito da linguagem direta, temos um José Serra ressurreto e com chances de vencer, graças ao crescimento espetacular de Marina Silva e das abstenções, que estiveram na casa dos dois dígitos, em todo o país. Aliás, vale lembrar que o grande número de abstenções mostra o quão necessário é acabar com o voto obrigatório. As pessoas estão preferindo justificar o voto a enfrentar longas filas em nome de um pretenso direito, que se confunde com dever cívico. E no século XXI, não há lugar para civismo de teor obrigatório.

Prosseguindo com as eleições nacionais e seus candidatos, Marina (aliada ao número de nulos, brancos e abstenções) se mostrou talentosa para estragar a festa alheia. Jogou água no champanhe petista e agora, é disputada a tapa para estar no palanque de seus ex-concorrentes.

Se seguir a atitude que tomou durante a campanha, provavelmente não deve subir com ninguém e deve liberar o partido para decidir. Essa história de convenção em 15 dias tem o intuito de esfriar petistas e tucanos, para fazê-los desistir de tê-la em seus palanques.

E parte dos eleitores de Marina quer isso mesmo: que ela saia neutra dessa história e pense em 2014. Esses vinte milhões podem se transformar em quarenta ou cinqüenta milhões em 2014, desde que ela se mantenha neutra e que o próximo (ou próxima) presidente tenha um governo insosso, como indica o perfil natural dos dois candidatos.

Enquanto isso, em terras sergipanas, a eleição foi decidida em primeiro turno. Mas com algumas ranhuras e disputas internas, no grupo vitorioso. E com méritos para o principal candidato derrotado, João Alves Filho. Isolado, com recursos limitados e com os aliados de eleições passadas em outros barcos, o esforço de João foi espartano.

Visitou cidades, povoados e localidades distantes. Foi obrigado a rever estratégias e contou com bem menos recurso do que seu adversário, que contou com uma candidatura adequada aos novos tempos tecnológicos e com grande parte dos comunicólogos do Estado dando apoio maciço.

Como mérito maior, João derrotou o atual governador no reduto eleitoral do oponente, expondo assim as rachaduras da aliança feita em prol da governabilidade. Governabilidade essa, que exigirá do atual governador, uma reunião geral com todos os eleitos e lideres de partido.

E nessa reunião, terá de se cobrar os resultados pífios de alguns aliados: tanto os que atuam nos bastidores, quanto os da linha de frente. Eu mesmo citei com amigos sobre o Fator30, que era a porcentagem de João em todas as pesquisas: é um fator considerável.

Mas o resultado eleitoral trouxe o Fator40. E governar com a oposição de 40% de uma população é estressante. É uma parte da população que estará atenta, cobrando e sem perder de vista o mandatário do poder Executivo. E vai cobrar de forma cruel, sem qualquer forma de carinho ou apreço.

Não creio que esse voto em João tenha sido exclusivamente por querer a volta do Negão. Mas reflete a queda do grau de atenção que Aracaju vinha recebendo. Afinal, Marcelo Déda é um político querido na capital e teve sempre suas gestões bem avaliadas pelo povo, mesmo até por parte de seus opositores.

Contudo, depois de sua saída, a administração municipal ficou burocrática, dependente e estática. Saiu um administrador carismático e competente e não se fez um sucessor à altura de quem se foi. A cidade se sentiu órfã do carisma, da empatia e por que não dizer, até da oratória de Marcelo Déda.

Fora isso, a falta de empenho do prefeito da capital foi notória, gerando reclamações de vários aliados: desde gente antiga até de novas lideranças de centro-esquerda, a chiadeira é que, além de faltar empenho, sobraram escolhas erradas, por parte de Edvaldo Nogueira.

De resto, é aquela velha conversação: “fulano comprou voto”, “sicrano avançou sobre a minha base eleitoral”. Não se prova nada, nem leva as acusações adiante, por precisar depois do apoio. Como dizia um professor meu, dos tempos de colégio: “Política é sempre ato futuro”. E errar em um ato que envolve o futuro, gera suas conseqüências: boas ou más.

Para todos os efeitos, Sergipe já tem governador. E o Brasil deverá decidir quem assumirá o Palácio do Planalto em 2011. Dois candidatos concebidos na esquerda estudantil, em lados opostos. Quem vencerá? No dia 31 de outubro, todos saberemos.

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