terça-feira, 21 de setembro de 2010

Debate da TV Atalaia: ataques, despreparo e superficialidade

Foto: César de Oliveira
Qual a real função de um debate eleitoral? Levar os candidatos a apresentar propostas? Fazer com os eleitores avaliem quem é o mais preparado para governar? É com estas teorias que ele se justifica. Mas, assim como na política, na prática, isso não se aplica. O debate da TV Atalaia realizado ontem foi a prova disso.

O encontro entre Déda, João e Avilete tornou-se um embate duro, que em alguns momentos reduziu o nível do programa a troca de acusações e a abordagem repetitiva dos temas. Faltou aprofundamento. Quase não foi possível localizar a apresentação de um programa de Governo para áreas essenciais, como Saúde, Educação, Segurança e Emprego.

De longe o mais preparado, Déda soube surfar sobre as debilidades de argumentação e de comportamento de seus adversários (ou seriam, acusadores?) durante todo o programa. Foi irônico, soube tirar proveito das perguntas mal elaboradas de Avilete Cruz e levantou temas de perguntas para os outros candidatos que lhe rendessem excedentes positivos na apresentação de pontos positivos do seu Governo. Foi assim ao falar das escolas técnicas, das estradas, da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Zona de Expansão.

O petista usou ainda argumentos do próprio João Alves, ao ressaltar reportagem do Correio de Sergipe sobre o rodízio de água em Aracaju em 2006 e ao dizer que os sócios da refinaria que o demista queria trazer para Sergipe não tinham capacidade de investimento. Ao final do programa, Déda se apossou da ideia do David e Golias, que é repetidamente usada na propaganda do DEM, desestruturando o discurso de João Alves.

João Alves começou bem, inclusive atacando o seu principal oponente e chamando-o para um desafio de comparação de Governos. Depois perdeu a linha, ao levantar um tema que não lhe rende votos. Repetidamente afirmou que Déda mesmo sendo aliado e compadre (falou isso inúmeras vezes) do presidente Lula, não reverteu isso em benefícios para Sergipe. Ao voltar para Déda, o argumento se desconstruía. João também não soube tratar da LRF e falou superficialmente da falta de água. Disse que a Deso está sucateada.

João não soube usar as perguntas bobas de Avilete para se sair bem, como quando questionado sobre o trato com o funcionalismo público. Tratou superficialmente da questão e pulou para outro assunto: a Rota do Sertão, para dizer que o projeto era de sua autoria. A refinaria também foi um tema sobre o qual João não se saiu bem. Levantar um tema que é de difícil compreensão para o povo não agrega votos. Temática dispensável.

O despreparo de Avilete deu a tônica de uma participação apagada e de momentos hilários. Assim como no debate da TV Cidade, a candidata lia perguntas e respostas, se perdia em argumentos e não convencia. Foi superficial. Além disso, não soube vender as ideias do PSOL. Percebendo o ostracismo, reclamou da falta de atenção dos candidatos as suas respostas. E, além disso, insinuou que a Justiça estaria favorecendo Déda ao não analisar o processo que pede sua cassação. Deprimente!

Neste cenário construído pelos próprios candidatos – já que as perguntas versavam sobre temas de livre escolha –, o eleitor não teve acesso a propostas. Não há como saber de que será feito o próximo Governo, se considerarmos apenas o debate de ontem. Foi superficial. Na próxima terça-feira, 28, acontece o último debate entre os candidatos. Dessa vez na TV Sergipe. Lá o formato é mais engessado. As temáticas, pré-determinadas. A audiência também é bem mais substancial. Resta aguardar pra ver se dessa vez a teoria será colocada em prática.

2 comentários:

Diógenes disse...

Como diria Kátia Susannsa: 'Excelenteeeeeee!'

Edson Júnior disse...

O debate foi bem conduzido e com um formato mais ágil, sem dúvidas. Mas poderia ser introduzido um bloco de perguntas de jornalistas, ou notáveis, nos setores de educação, segurança, saúde, habitação, cultura, etc. Nos formatos atuais, o candidato que está a frente das pesquisas recebe pesado bombardeio e fica limitado a responder aos ataques. Não deixa de ser importante, pois é uma forma de prestação de contas e apresentação do perfil do candidato, seu passado, o que fez, o que o credencia a postular o cargo. Parabéns pelo artigo.