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Debate com gosto de que nada vimos e ouvimos

Evento ocorreu no auditório do Banese
Foto: Janaína Santos
Aconteceu ontem o primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Sergipe. O único com todos os sete postulantes ao cargo. Por mais de três horas, Déda, João, Professora Avilete, Vera Lúcia, Leonardo Dias, Pastor Arivaldo e Henrique Aragão se revezaram em respostas sobre os mais diversos temas. O encontro foi veiculado na TV Cidade e retransmitido pelas rádios Ilha FM e Jornal AM.

Por conta do número de participantes e em decorrência das regras impostas, o debate não fluiu. É possível destacar alguns momentos mais interessantes e com alguma tensão entre os candidatos, mas a maior parte do tempo foi tomada por discussões pouco relevantes e de interesse público questionável.

Os dois principais candidatos, Marcelo Déda (PT) e João Alves Filho (DEM), únicos com chance de vitória no pleito, não tiveram tempo hábil para discutir e até mesmo mostrar para a população qual dos dois é o melhor para Sergipe. A interessante comparação entre os dois gestores não ocorreu. A presença dos outros cinco candidatos levou o debate para um caminho de críticas soltas e de apresentação de propostas que não serão colocadas em prática.

João e Déda ficaram lado a lado
Foto: Janaína Santos
A Educação foi um tema recorrente, com Déda e João disputando em números quem mais aprovou estudantes no vestibular e qual dos dois detém as piores médias nos exames nacionais. É isso mesmo! A Educação em Sergipe, segundo números apresentados ontem, tem médias que variam de 3 a 4, de acordo com o nível do ensino. Números vergonhosos. Ainda assim não foi possível localizar no discurso dos candidatos boas propostas para elevar esta média e dar aos estudantes das escolas públicas sergipanas um ensino verdadeiramente de qualidade.

Na falta de um debate aprofundado e decisivo para aqueles que ainda não se decidiram quanto ao voto no dia 3 de outubro, a presença do candidato do PRTB, Henrique do Grupo Mexa-se foi o ponto alto da noite. Caricatural, Henrique usou todo o tempo que lhe foi dado para fazer críticas rasteiras e sem fundamentação. O candidato chegou a afirmar que 1,4 milhão de sergipanos vive com menos de R$ 0,25 por dia. Informação incorreta, obviamente.

Dos demais candidatos presentes, Vera Lúcia e Leonardo Dias foram coerentes em seus discursos. Particularmente, gostei da participação de Vera. Fez questionamentos interessantes e ressaltou problemas vividos pelos moradores do bairro Santa Maria, um dos mais pobres da capital. Leonardo travou uma discussão interessante com Déda sobre alianças partidárias.

O governador Marcelo Déda não negou suas alianças, defendeu seu Governo e soube enfrentar bem a avalanche de críticas dos outros seis candidatos. Logo no início do encontro afirmou que seria um embate de seis contra um. Dito e feito. O ponto mais positivo da participação de Déda foi a forma como ele respondeu a todas as perguntas. Foi direto diante do tempo limitado para as respostas. Saiu-se bem.

Faltou espaço para o debate entre João e Déda
Foto: Janaína Santos
João Alves Filho, assim como em todos os encontros dos quais participa, defendeu suas gestões, reavivou na memória das pessoas projetos executados anteriormente, mas infelizmente não soube lidar com o tempo limitado. Prova disso foi o momento em que lhe foi dado 30 segundos para dirigir uma pergunta ao candidato Henrique e ele utilizou o tempo para falar de suas propostas. Tempo esgotado, o candidato do PRTB não teve sobre o que responder, devolvendo assim a João mais um minuto para fazer a réplica, que funcionaria como tempo para ele elaborar seu questionamento. Novamente, João não fez pergunta alguma e Henrique encerrou este trecho do debate, “passando a vez”.

Os candidatos Arivaldo José e Professora Avilete passaram despercebidos. Arivaldo não foi capaz de apresentar uma proposta sequer. E Avilete foi extremamente infeliz ao dizer que Déda tinha “potencial assassino”. Por conta disso, o candidato do PT ganhou um minuto para direito de resposta e reverteu a infeliz análise da candidata do PSOL.

Henrique: não precisamos dele
Foto: Janaína Santos
Finalizado o evento, ficamos com o gostinho de começo de debate. Ou seja, com a sensação de que nada ouvimos e de que nada vimos. Vamos aguardar pelos próximos dois debates – os da TVs Atalaia e Sergipe – que terão apenas a participação de Déda, João e Avilete (esta última por força da lei eleitoral) para que consigamos conhecer mais das propostas dos candidatos, Assim, espero, os eleitores terão mais subsídios para comparar administrações, avaliar propostas e decidir o voto.

Twitter
E, pra variar, o Twitter foi um capítulo à parte durante o debate da TV Cidade. Eu (@valter_jornal) e a minha amiga e colega de trabalho @rafaella_vieira twittamos direto do debate durante a quase totalidade da sua realização. Outros tantos colegas de Twitter também fizeram uma cobertura bem divertida. O @jc_insight foi o grande destaque da noite. Com comentários bem-humorados, João Carlos Lima deu ao Twitter a descontração necessária para quebrar o clima do debate. Foi bem legal! Follow para ele e para @rafaella_vieira, (ela não perdeu um lance).

Comentários

Anônimo disse…
Ótima análise do debate realizado na noite de ontem. O formato, apesar de democrático com os candidatos, não ajudou a população indecisa a definir seu eleito em 3 de outubro. Agora, o que é Henrique do Grupo Mexa-se hein? Gostei muito da participação do Leonardo Dias, falou muitas coisas "possíveis", coisa que a esquerda "xiita" parece que esqueceu, vide algumas propostas do PSTU e do PSOL.
Antonio Oviêdo disse…
O comentário acima é meu, foi mal, Valter.rs

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