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A absolvição de Déda: fato político positivo e decisivo

O que poderia redundar num fato catastrófico para a candidatura petista ao Governo do Estado resultou num acontecimento político positivo para Déda a menos de duas semanas das eleições. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgou improcedente o pedido de cassação contra o governador, em decorrência de eventos realizados em 2006, quando o petista deixou o cargo de prefeito de Aracaju para se lançar candidato ao Governo.

Potencializados por uma reportagem da revista Veja, que denominou ‘a despedida’ de Déda da prefeitura de “Micareta Picareta”, os sete eventos de inauguração de obras com shows de Ana Carolina, Dudu Nobre e Fábio Júnior foram usados de forma incansável pela oposição. Durante os últimos quatro anos, o governador teve que responder a uma série de perguntas sobre o assunto.

Em junho, por exemplo, durante a vinda da presidenciável Dilma Rousseff a Sergipe, um repórter da Folha de S. Paulo questionou a candidata sobre o processo contra o governador. Déda não gostou da pergunta e deu ao repórter uma reposta desaforada. Perdeu até um pouco da compostura.

No debate da última segunda-feira, novamente, Déda teve que responder a uma pergunta da candidata Avilete Cruz sobre os eventos de 2006. E mais uma vez, Déda se utilizou do mesmo argumento-chave. Disse que estava sendo acusado de inaugurar obras e não de ter praticado corrupção, o que lhe deixava tranquilo quanto ao resultado do julgamento que ocorreu ontem.

A decisão do TSE foi unânime e considerou que os eventos realizados por Déda enquanto prefeito não influenciaram no voto dos sergipanos, embora os ministros tenham entendido que o governador cometeu irregularidades ao proferir discursos durante os shows. Mas, segundo eles, a conduta do então prefeito não chegou a configurar abuso de poder político, ato capaz de gerar a cassação de mandato eletivo.

“A análise dos fatos e provas constantes dos autos, no contexto geral de eleições estaduais, leva a concluir que essas condutas irregulares praticadas por Marcelo Déda, em março de 2006, mais de seis meses antes do pleito, não tiveram potencial lesivo suficiente para macular [as eleições]”, concluiu o ministro Aldir Passarinho Junior, relator do processo.

Ele afirmou que não há elementos no processo para se aferir o público atingido pelos discursos, mas destacou que os shows foram realizados em bairros da periferia de Aracaju, que conta com apenas 26% do eleitorado. O ministro Aldir Passarinho analisou ainda a acusação de que Déda teria desvirtuado a publicidade institucional da prefeitura para fazer campanha nos meios de comunicação em março de 2006. O ministro avaliou as propagandas publicadas em jornal, rádio e TV, além daquelas distribuídas em informes institucionais. Para o ministro, o caráter predominante de todas elas era o informativo.

Desse modo, o que se verifica é que a demora no julgamento do processo se transformou num fato político pró-Déda, que poderá ser utilizado maciçamente nestes últimos dias de campanha. A absolvição de Déda não faz mudar os votos daqueles que já optaram por João ou pelos demais candidatos, mas pode ser determinante para aqueles que ainda estão indecisos – segundo a pesquisa Dataform de agosto, estes somavam 5,3% do eleitorado. Numa campanha que se mostra tão competitiva, esta fatia do eleitorado não pode ser desconsiderada.

Comentários

Edson Júnior disse…
O tal do "factóide" é um tiro no pé. O que não deveria ganhar atenção, no caso, esse monstrengo levado ao TSE, vai terminar consolidando a imagem de homem probo que é o governador Marcelo Déda. Houve uma sistemática campanha difamatória contra ele, que sempre se mostrou altivo e confiante. Agora, resta saber se o desenrolar da Operação Navalha dará atestado de probidade à João Alves Filho e outros. Será que a profª Avilete vai perguntar a João, no debate da Tv Sergipe, sobre a navalha, já que ela, digamos, por "lapso", esqueceu de fazer na Tv Atalaia?
Valter, seu blog é ótimo. Adorei mesmo. Uma leitura muito boa e informativa sobre os aspectos e fatos políticos!
Anselmo disse…
A oposição ficou sem uma carta que eles achavam importante, estavam a chamar Déda de ficha suja. E agora João para onde?

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