terça-feira, 27 de julho de 2010

Alianças no interior diferem de coligações

As coligações em torno dos principais candidatos ao Governo do Estado se definiram no início deste mês, após as convenções partidárias. De um lado, o atual governador Marcelo Déda, PT, reuniu em torno de seu nome partidos como o PMDB, o PSB, o PSC e o PDT. Do outro lado, o ex-governador João Alves Filho, DEM, lançou-se candidato ao Governo pela quarta vez com o apoio do PPS e do PP. O PSDB, do tucano Albano Franco, saiu independente na disputa, sem candidato a governador.

Essa divisão entre os partidos, no entanto, não é exata. No interior do Estado, principalmente, prefeitos que teoricamente deveriam estar na base de apoio de Déda estão se rendendo a João e vice-versa. Candidaturas de senador e de deputados também embolam o arco de alianças e de alinhamentos.

O caso mais emblemático é o do prefeito de Itabaiana, Luciano Bispo, do PMDB. Foi exatamente naquele município onde ocorreu no último dia 17 um evento que reuniu num só palanque o candidato de oposição ao Governo, João Alves, e dois aliados de Déda – o candidato ao Senado, Eduardo Amorim, PSC, e o candidato a deputado federal, Almeida Lima, PMDB.

O encontro ocorreu durante o lançamento da candidatura de Arnaldo Bispo, PSDB, para deputado estadual. Ou seja, o apoio do prefeito Luciano Bispo a cada um desses candidatos mostrou a diversidade de alianças que estão se formando no interior e que seguem um caminho oposto ao definido nas convenções.

Teoricamente, Luciano Bispo, que é prefeito do PMDB, deveria apoiar Marcelo Déda, mas o líder itabaianense é o coordenador de campanha de João Alves no interior. Para justificar suas participações no evento do dia 17, tanto Amorim quanto Almeida explicaram que o apoio de Luciano Bispo a suas candidaturas não está atrelado a uma aliança com João. Ambos também disseram que compareceram ao lançamento da candidatura de Arnaldo Bispo antes da chegada de João Alves e que não ficaram para ouvir seu discurso.

‘LUCIANO, SEU PROJETO É MEU PROJETO’
Almeida usou ainda o argumento de que Luciano é de seu partido, o que viabiliza o apoio, sem grandes problemas. Mas foi justamente de uma declaração feita pelo senador que gerou uma repercussão negativa entre os dedistas. “Luciano, o seu projeto é o meu projeto”, disse Almeida, dando a entender que ele estaria no mesmo barco que o prefeito de Itabaiana, o que indicaria um possível apoio a João Alves.

O senador reagiu e disse que o seu candidato continua sendo Marcelo Déda. “O palanque era de Luciano Bispo e ele convida quem deseja. Por educação de berço, a mim compete respeitar a todos, inclusive a João Alves de quem sou amigo, e não vou abrir mão disso. Mas se alguém deseja saber, o meu candidato é Déda. Sou PMDB, sou partidário e o meu partido fez uma aliança com o PT, cujo candidato é Déda e é a ele que eu apoio”, afirmou.

OUTROS ACORDOS
Mas não é só de Itabaiana que surgiram alianças estranhas – ou que fogem do desenho das coligações. O prefeito de Nossa Senhora do Socorro, Fábio Henrique, do PDT, por exemplo, deveria apoiar o candidato a deputado federal do seu partido, Bosco Costa, mas já se comprometeu com o candidato do PR, Laércio Oliveira.

Há ainda o líder Cleonâncio Fonseca que apoiará o candidato a deputado federal pelo PT, Rogério Carvalho. Cleonâncio é irmão do deputado estadual Venâncio Fonseca, PP, que é candidato de oposição ao lado de João Alves e um dos críticos mais ferrenhos da administração petista, que teve Rogério como secretário de Saúde.

O prefeito de Estância, Ivan Leite, que é do PSDB, partido que não terá candidato ao Governo, já declarou apoio a Marcelo Déda. O também tucano Arnaldo Bispo, no entanto, optou por apoiar João Alves. Em São Cristovão, enquanto o prefeito Alex Rocha, PDT, apoia a candidatura petista ao Governo, seu pai, o ex-prefeito Lauro Rocha, optou por apoiar João Alves.

De Lagarto, há ainda o caso do candidato a deputado federal Fábio Reis, que se filiou ao PMDB para apoiar Marcelo Déda, contrariando os interesses de seu pai, o deputado federal Jerônimo Reis, que é do DEM. Este, por conta de problemas na base demista, poderá migrar para o lado de Déda e declarar apoio oficial ao petista. Depreende-se assim que os interesses particulares de cada candidato, em muitos casos, superam os acordos em âmbito estadual que definiram as alianças para o Governo.

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