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O Huse e os índices alarmantes


Assustador. Alarmante. Aterrador. Estes são apenas alguns dos adjetivos que podemos usar para qualificar a informação de que a taxa de mortalidade no Hospital de Urgência de Sergipe – Huse – durante o ano de 2009 variou entre 43% e 75% na ala amarela. Ou seja, de cada 10 pessoas que adentraram no João Alves neste setor para receber algum tipo de atendimento, quatro morreram no melhor dos cenários, e sete no pior. São dados chocantes (sendo redundante, propositadamente).

O que assusta mesmo é capacidade do Governo em não reconhecer o problema e insistir na afirmação de que estão sendo investidas centenas de milhões em Saúde no Estado, enquanto o
cidadão comum não percebe a melhoria do serviço, quando precisa. É complicado aceitar que
todas as denúncias feitas diariamente na mídia são eleitoreiras ou que representam apenas
uma minoria insatisfeita. Sabemos que essa não é a verdade.

Na audiência do Ministério Público Estadual, o diretor do Huse, Francisco Claro, disse que o índice apresentado pela infectologista Iza Lobo já mudaram. “Caíram vertiginosamente”, afirmou [
leia matéria completa no Portal Infonet]. Mas caíram quando? De janeiro pra cá? Só agora? E nos três anos anteriores da gestão do Governo Marcelo Déda? Não entendo como as mudanças propostas nas eleições de 2006 demoram tanto pra se tornarem reais. O tempo passado não é o suficiente para que as pessoas procurem o Huse e sejam bem atendidas, medicadas, operadas?

Sabemos que mesmo diante de todos os problemas, o Hospital João Alves continua sendo um porto seguro para a maioria dos sergipanos que precisam dos seus serviços, e que contrariamente aos dados de mortalidade, de cada 10 pacientes, seis são bem tratados no melhor cenário e três no pior. Mas dá pra ser melhor. Dá pra ser 100%. Dá pra fazer com as clínicas de Saúde da Família comecem a funcionar de verdade, dá pra adiantar o andamento das obras dos hospitais regionais e fazê-los pontos cruciais para desafogar o Huse.

O Governo possui pessoas competentes em seu quadro técnico para realizar tal projeto, mas ainda assim é moroso, lento, quase parando ao decidir e executar boas ideias. Os recursos estão aí, todos sabemos disso, mas não dá pra admitir que pessoas continuem morrendo na
porta do hospital ou recebendo um atendimento de pésssima qualidade, porque o médico está sobrecarregado de trabalho e insatisfeito com o salário que ganha.

Falta ao Governo ouvir a sociedade, ouvir a classe médica, parar pra entender as necessidades do povo e as necessidades dos profissionais que podem fazer a Saúde dar certo. Não é o discurso que trará a mudança e não é com picuinha política que se resolverá o problema. O Governo deve reconhecer todas as deficiências e dar passos (largos) rumo as melhorias que o Huse precisa.

Foto: Infonet

Comentários

Caju disse…
Pior que isso só uma guerra.
Ô lástima!

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