terça-feira, 13 de abril de 2010

Arruda: a prisão, a lição e ele (bem) longe da política

Após dois meses, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) mandou soltar o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda na noite de ontem. Visivelmente abatido (veja na foto ao lado), Arruda deixou a sede da Polícia Federal acompanhado da esposa e do advogado. Os ministros do STJ entenderam que o ex-governador não tem como influir mais nas investigações, já que não mais ocupa um cargo político.

Pela primeira vez um governador no exercício do mandato havia sido preso no Brasil. Arruda, que está sem partido desde que estourou o escândalo do mensalão no Governo do Distrito Federal no final do ano passado, teve sua prisão decretada pelo STJ depois de se envolver pela segunda vez em um ato de corrupção. Com o objetivo de desacreditar a primeira denúncia, o governador cometeu um novo erro ao tentar subornar um jornalista para que afirmasse que os vídeos que mostram políticos de Brasília recebendo dinheiro de suposta propina foram manipulados.

Errou uma vez, errou duas vezes. A prisão até que durou muito tempo, num país onde atos de corrupção são tão freqüentes e foi útil para mostrar que os muitos corruptos deste país devem ser presos e julgados de acordo com os erros que cometeram. A prisão de Arruda fez crer que é possível o fim da impunidade, que o político corrupto pode ser retirado do âmbito de discussões e de decisões do país.

Agora só temos que esperar o resultado final das investigações e a condenação de Arruda e de outros envolvidos no mensalão do DEM. Ao deputado federal Alberto Fraga, do Distrito Federal, Arruda disse que sua “vida acabou” e que agora sua prioridade é “pensar em como reconstruí-la”.

"Tivemos uma conversa logo após a prisão. Ele acha que errou, tem consciência disso, mas a imprensa criou um quadro de injustiça jamais visto. Tem assaltante, bandido, estupradores soltos e um ex-governador ficou preso 61 dias pela pressão da imprensa", disse Alberto Fraga ao jornal Folha de São Paulo. Tomara mesmo que Arruda tenha consciência do erro e que bom que a imprensa conseguiu deixar preso um corrupto por 61 dias, até porque o crime cometido pelo ex-governador não deixa de ser um assalto aos cofres públicos. Tinha que ficar era mais tempo preso!


Além disso, tomara que Arruda consiga reconstruir sua vida, só que longe da política. Ele não merece uma segunda chance, pois em um período tão curto de tempo errou duas vezes. Em um ano em que se aproxima a oportunidade dos cidadãos brasileiros voltarem mais uma vez às urnas para escolher seus representantes, cabe uma reflexão sobre todas as atitudes dos políticos nestes últimos anos e uma necessidade ainda maior de consciência na hora do voto.

Corrupção e política não podem e não devem mais andar de mãos dadas. Devem estar em lados opostos. Arruda está sendo o primeiro, mas que outros homens públicos como ele, que causam prejuízo ao erário, sejam afastados do poder. O Brasil só se tornará melhor quando o voto se tornar suficientemente forte e correto e o cidadão entender que ele pode definir os rumos do país.

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