domingo, 28 de fevereiro de 2010

Os recados do período pré-eleitoral

*Suzana não descarta aliança com João

*Edivan Amorim diz que ‘troca figurinhas’ com outros partidos

*Déda é de difícil acesso. Os recados são o melhor caminho

*Em três anos, Suzana só foi recebida por Déda em três ocasiões. Através dos recados, só nesta semana, ela foi ouvida – e respondida – em dois momentos.

O clima eleitoral toma conta de todas as declarações dos políticos brasileiros. Em Sergipe, a regra também é essa. Qualquer declaração feita hoje soa como recado e deslancha uma repercussão sem fim. Desde o retorno do governador Déda ao cargo, no início de janeiro, que qualquer afirmação dos políticos aliados rende uma polêmica ou dá início a uma série de especulações sobre as coligações futuras.

Na última semana foi a vez da deputada estadual Suzana Azevedo, PSC, ‘tomar a pedra e jogar na janela’ do governador petista. Ela usou a tribuna da Assembleia Legislativa para reclamar do atraso nas obras de reforma do hospital de Propriá. Depois disso, em entrevista a alguns jornalistas de rádio criticou o fato do PSC ser chamado de ‘aliados de última hora’, por companheiros de outros partidos da base de Déda.

Além disso, Suzana também afirmou que em não sendo bem tratado, o PSC poderia buscar outras alianças – o que para bom entendedor significa apoiar a possível candidatura de João Alves. Pronto. Este foi o estopim. Em resposta, Déda disse que não é homem de recado e afirmou ainda que quando era deputado e queria mudar de lado, ia e o fazia, sem grandes traumas e sem mandar ‘recado’ pra ninguém.

Suzana se surpreendeu com a resposta e disse que não tinha mandado recado pra o governador. Disse ainda que este não é um hábito político seu. Mas também voltou a afirmar que a ida para o lado do DEM de João Alves não é uma hipótese descartada.

EDIVAN
O presidente do PR, Edivan Amorim, que responde também pelo PSC e outros seis partidos aliados, reafirmou o que disse a deputada Suzana Azevedo. Disse que não estava mandando recado, disse que o partido ainda iria se decidir sobre os rumos eleitorais deste ano e viu com naturalidade toda essa ‘confusão’ em torno das declarações de Suzana.

Por fim, Edivan disse ainda que embora mantenha uma relação harmônica com o Governo do Estado, o seu grupo tem liberdade para ‘trocar figurinhas com outros partidos’. Ou seja, o presidente – que disse que não é de mandar recados – deixou implícito nesta última declaração que está discutindo alianças e viabilidade eleitoral com outros partidos – que só podem ser os de oposição.

Dessa forma, Edivan Amorim só fez confirmar tudo o que a deputada Suzana Azevedo disse e por fim, não deixou de dar o seu recado. Que só pode ser para o governador Marcelo Déda, responsável pela difícil missão de acomodar todos os partidos que lhe dão apoio na coligação para as próximas eleições.

COM DÉDA SÓ FUNCIONA ASSIM
Até o final deste mês – prazo dado pelo próprio Déda para fechar as definições da chapa majoritária –, os recados irão se multiplicar. Todos querem seu espaço e todos querem se fazer ouvir. Ainda mais quando o governador em questão não recebe aliados pra conversar com freqüência, não é de fácil acesso e peca num republicanismo exagerado e pouco prático.

Ou seja, o recado é o caminho mais rápido para se fazer ouvir. Suzana que o diga. Em três anos de Governo, ela só foi recebida – e ouvida – por Déda em três ocasiões. Só nesta semana, através das declarações feitas à imprensa, ela se fez ouvir em dois momentos e teve resposta em todos eles. Está claro que os ‘recados’ são bem eficientes.

Por Valter Lima

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