sexta-feira, 2 de maio de 2008

Só um desabafo...

Hoje desci do ônibus (coisa básica?!) e junto comigo mais dois meninos com seus 9 a 10 anos de idade. Eram meninos em situação de rua. Um portava um cabo de madeira utilizado para fazer malabarismo no sinal em busca de dinheiro. Bem, eles passaram em frente a uma residência, onde um rapaz com transtornos psicológicos mora e começaram a fazer gestos imorais de forma agressiva. Até agora não há nada demais, já que o deficiente mental revidou com cuspes até sua mãe sair de casa e pedir aos meninos, aos berros, que saíssem dali e deixassem o filho dela em paz.

Assisti tudo e a vontade na hora foi de filmar para que vocês pudessem sentir o que eu senti no momento e até pensar da mesma forma que pensei. Desde quando desci do ônibus imaginei os possíveis motivos daqueles dois meninos viverem nas ruas. Lógico que não foi difícil, já que todo mundo sabe e vou poupá-los do discurso velho e chato que não sai do lugar. Mas onde eu quero chegar com isso tudo? No momento em que os vi fazenedo aqueles gestos só pensei que aqueles meninos até devem saber que escola é importante, que são marginalizados, que deveriam estar dentro de casa para garantir um futuro, etc e tal.

Só que o grande detalhe disso tudo é que para eles, a situação em que vivem é a mais normal possível. Assim como a vida é para nós, que vamos ao shopping e nos contentamos com um sorvete de um real e uma sessão de cinema. Isso é o que as nossas condições permitem fazer né?! Só que às vezes, nós todos queremos ter uma condição melhor do que a que temos agora, e queremos isso para os nossos filhos também. Mas não acredito que esses dois meninos quando estiverem com a nossa idade irão pensar assim, isto caso eles sobrevivam até lá!

Eu percebi naquele momento que a violência, para eles, é normal, como qualquer tipo de brincadeira. Bater copinho, chingar alguém ou até mesmo cometer um pequeno furto é o que lhes causa adrenalina! E outra coisa, a diferença social, só provoca raiva e não alimenta o sonho de sair daquela vida. Pode parecer exagero meu, mas o que eu penso é que aqueles dois meninos e tantos outros não sonham com um mundo encantado, como o dosa nossos sonhos de criança. Eles, simplesmente, reproduzem a situação de miséria, descaso e violência que passam. E seus filhos passarão pelas mesmas coisas, pois o que de diferente eles vão poder mostrar?

E o que é mais interessante é a capacidade das pessoas de acreditarem que a solução começa na educação. Será? A personalidade deles é fruto de uma cultura da marginalidade construída ao longos dos anos, em que a diferenciação social passou a ser pela quantidade de dinheiro que a pessoa pode ter. E é essa personalidade que é dificil de se mudar, pois é como querer transformar a essência de uma pessoa, fazer com que ela deixe de ser o que é!!!

Bom, por essa semana eu só posso acreditar em uma coisa que pode mudar todo isso. Uma coisa que não tem valor nenhum e só depende da vontade própria, do poder de acreditar, das obras que partem da certeza da existência de Deus. Só o AMOR DE DEUS pode mudar isso, o amor de Deus presente em cada um! O Amor de Deus conhecido e que deve ser vivido por todos.


Por Grazielle Matos

"Realmente...
Enquanto a nossa sociedade põe a culpa da marginalidade nos políticos, com a bandeira de que eles não fornecem educação de qualidade, Grazielle apontou que o "buraco é mais embaixo". Poderemos ter escolas-modelo, mas enquanto existirem este conformismo e esta mentalidade de que isso não é problema nosso, o Brasil vai continuar como a vida destes dois meninos: sem perspectiva."

Por Adrine Couto

"Um tema espinhoso, que com toda certeza, pode gerar opiniões das mais diversas. Continuo acreditando na importância da Educação, pois acredito que a mudança de mentalidade das crianças passa sim pela Educação. Contudo, entendo também que é necessário a educação da família e da sociedade como um tudo. A mudança de mentalidade precisa vir de cima, para poder gerar resultados significativos nos meninos e meninas que convivem com a pobreza e com a miséria.

E como foi destacado por Adrine Couto, a mudança perpassa pelo fim do conformismo e pela participação ativa da sociedade na mudança dessas tristes realidades que sem amontoam pelas esquinas das cidades."

Por Valter Lima

2 comentários:

Raquel disse...

Concordo contigo Valter!

A educação é muito importante sim, começando lá do maternalzinho.

Mas a educação em casa também é primordial. Acredito que os meninos na situação citada não possuíram nenhuma das duas..

Ah, Valter, só pra registrar. Teu texto sobre erotização faz o maior sucesso. Ele vai ser usado na oficina do Recriando próxima semana :)

Bjão

wcleuton disse...

PARABÉNS!!!!
SOU PROFESSOR E GOSTARIA DE INDICAÇÃO DE REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS OU ESTUDOS SOBRE O ASSUNTO, POIS JÁ VENHO ME INQUIETANDO SOBRE ESSE TEMA HÁ UM BOM TEMPO, MAS TENHO PERCEBIDO QUE TEM POUCAS FONTES SE DEBRUÇANDO SOBRE ESSE TEMA.